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A maioria das empresas farmacêuticas crescerá menos em 2026
  • 11 de maio de 2026

A maioria das empresas farmacêuticas crescerá menos em 2026

Apenas aquelas que desenvolverem equipes adaptáveis conseguirão sustentar seu crescimento.

Por: Saúl Escobar, Gerente Comercial e de Marketing | Bacher Zoppi.

 

A indústria farmacêutica global está passando por uma transformação mais profunda do que os indicadores gerais de crescimento refletem. O mercado continua a se expandir, a demanda permanece forte e a inovação ainda impulsiona o crescimento; no entanto, resultados recentes começam a mostrar uma lacuna significativa entre o crescimento do setor e a capacidade de muitas empresas de manter o ritmo.

 

Os dados publicados pela Fierce Pharma para 2026 refletem claramente essa mudança. Das 25 maiores empresas farmacêuticas globais, apenas cinco projetam um crescimento mais rápido do que em 2025, enquanto as demais antecipam um crescimento mais lento ou pressão sobre a receita. Casos como o da Novo Nordisk, que projeta uma queda estimada entre 5% e 13% até 2026, juntamente com os ajustes observados em empresas como Bayer, Biogen e Bristol Myers Squibb, ilustram um ambiente muito mais desafiador para o setor.

 

O ponto crucial é que essa desaceleração ocorre enquanto o mercado farmacêutico global continua a crescer. A IQVIA mantém projeções positivas para os gastos globais com medicamentos até o final da década, impulsionados pela inovação e pelo aumento da demanda por tratamentos especializados. A demanda permanece; o que está começando a mudar é a capacidade das organizações de capturar esse crescimento no mesmo ritmo de antes.

 

Essa diferença está alterando o debate estratégico dentro do setor. Durante anos, grande parte da vantagem competitiva foi construída em torno de produto, posicionamento e expansão comercial. Hoje, esses elementos coexistem com uma variável muito mais decisiva: a adaptabilidade interna.

 

Simon Sinek — autor de *Comece pelo Porquê* e *O Jogo Infinito*, e um dos consultores mais influentes em liderança organizacional e estratégia de longo prazo — argumenta que as organizações que permanecem relevantes são aquelas capazes de se adaptar antes que o ambiente as force a isso. Sua abordagem ressoa diretamente com a situação atual da indústria farmacêutica.

 

Do ponto de vista empresarial, a desaceleração é perceptível primeiramente nas operações diárias: ciclos de tomada de decisão mais longos, estruturas menos ágeis e tempos de resposta mais lentos às mudanças do mercado.

 

Em ambientes altamente competitivos, a adaptabilidade interna está se tornando tão importante quanto o portfólio, o investimento ou o tamanho da operação. As empresas que sustentam o crescimento são aquelas em que as áreas de vendas, marketing, operações e desenvolvimento de talentos trabalham com agilidade estratégica e capacidade de ajuste contínuo.

 

Pela minha experiência na Bacher Zoppi, essa discussão está se tornando cada vez mais relevante. As organizações que sustentam o crescimento hoje são aquelas que desenvolvem equipes capazes de executar tarefas, aprender e se adaptar sob pressão. É aqui que o talento deixa de ser mera cobertura operacional e passa a ser uma variável estratégica de crescimento.



Fontes:

IQVIA Institute — Global Medicine Use and Spending Outlook 2026
https://www.iqvia.com/insights/the-iqvia-institute/reports-and-publications/reports/global-medicine-use-trends

Fierce Pharma (2026) — While Lilly continues boom in Q4, many other drugmakers are projecting a slide in ’26
https://www.fiercepharma.com/pharma/while-lilly-continues-boom-q4-many-other-drugmakers-are-projecting-slide-26